Com o avançar da idade, uma coisa que afeta diretamente a qualidade de vida é o estresse, a ponto de poder causar prejuízos à saúde. De acordo com o médico Egídio Dorea, coordenador do Programa USP 60+ da Pró-Reitoria de Cultura e Extensão Universitária da USP, existem dois tipos diferentes de estresse: o agudo, “que é a resposta imediata e passageira a um desafio – o clássico ‘luta ou fuga’, que pode até ser adaptativo” – e o crônico, “a ativação prolongada ou repetida do sistema de estresse, com níveis elevados de cortisol e adrenalina por semanas, meses ou anos. Estudos mostram que o estresse crônico acelera o envelhecimento biológico: encurta telômeros, aumenta a inflamação sistêmica (inflammaging), promove senescência celular e eleva o risco de doenças crônicas. Isso reduz as chances de um envelhecimento saudável e com autonomia”, explica ele.
A partir da ativação desse sistema de estresse, algumas associações odem ser feitas. “Os principais envolvem o eixo hipotálamo-hipófise-adrenal. O cortisol elevado de forma crônica gera estresse oxidativo, dano ao DNA, disfunção mitocondrial e redução da atividade da enzima telomerase. Também ativa vias inflamatórias, levando à produção de citocinas pró-inflamatórias. O resultado é um ciclo de inflamação, senescência celular e aceleração do ‘relógio biológico’. Além disso, o estresse crônico prejudica a recuperação do sistema, tornando o organismo menos resiliente.”
Egídio Lima Dorea – Foto: Arquivo pessoal
Saúde física e mental
Há consequências para a saúde mental e física. Na mental, o estresse crônico pode aumentar o risco de ansiedade, depressão e burnout. Na saúde física, pode estar ligado à hipertensão, doenças cardiovasculares, diabetes, enfraquecimento imunológico e até declínio cognitivo, aponta Dorea. “O estresse crônico e a saúde se retroalimentam: problemas de saúde geram mais estresse e o estresse agrava os problemas de saúde.” Embora episódios de estresse sejam relativamente comuns, o que determina seus efeitos é a recuperação do problema. “Primeiro, é importante ressaltar as microestratégias, que são as imediatas e duram minutos, como a respiração diafragmática ou um breve alongamento. As estratégias médias, que levam de horas a dias, são caminhadas na natureza, sono de qualidade ou uma simples conversa com alguém. Por fim, as macroestratégias, que duram de semanas a meses, se baseiam na revisão de rotina, estabelecimento de limites, prática regular de exercícios físicos, terapia, entre outras atividades.”
A chave é interromper o ciclo de estresse o quanto antes para permitir a recuperação completa. Dicas: monitorar sinais de estresse crônico (cansaço constante, irritabilidade, sono ruim), incluir microrrecuperações várias vezes ao dia, com o objetivo não de eliminar o estresse, mas de se tornar menos frágil diante dele.
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Fonte: Jornal da USP.
Foto: Marcos Santos/ USP Imagem

