A campanha eleitoral que se inicia oferece ao Brasil mais uma oportunidade de reafirmar um dos pilares da democracia: a escolha livre de seus representantes por meio do voto. Mas essa escolha só será verdadeiramente qualificada se o debate público estiver centrado em ideias, programas de governo e soluções para os problemas nacionais, e não na troca permanente de acusações, ofensas pessoais e estratégias de desinformação.
Os primeiros movimentos da disputa presidencial mostram um cenário político diversificado. Diferentes partidos já oficializaram candidaturas ou definiram seus posicionamentos para a eleição, enquanto novas legendas apresentam seus programas e outras optam por fortalecer suas bases estaduais. Ao mesmo tempo, entidades da sociedade civil também procuram influenciar positivamente o ambiente eleitoral ao propor compromissos públicos em defesa da democracia, da comunicação e da proteção do jornalismo.
É um movimento saudável. Afinal, eleições não existem apenas para definir vencedores e vencidos. Servem, sobretudo, para colocar em discussão diferentes projetos de país. O eleitor tem o direito de saber como cada candidato pretende enfrentar desafios históricos, como crescimento econômico, geração de empregos, saúde, educação, segurança pública, combate às desigualdades, transição energética e modernização do Estado. São essas respostas que devem ocupar o centro da campanha.
Infelizmente, a experiência recente demonstra que o debate político brasileiro tem sido frequentemente contaminado pela polarização extrema. Ataques pessoais, vídeos manipulados, campanhas negativas e discursos voltados mais para a destruição do adversário do que para a apresentação de propostas acabam monopolizando a atenção pública. O resultado é uma campanha empobrecida, na qual o marketing eleitoral muitas vezes se sobrepõe ao conteúdo.
Esse ambiente produz efeitos nocivos. Em primeiro lugar, dificulta que o eleitor compare projetos concretos. Em segundo, estimula a radicalização e amplia a desconfiança entre diferentes grupos da sociedade. Por fim, enfraquece a própria democracia ao transformar a eleição em uma disputa emocional permanente, na qual fatos e argumentos perdem espaço para narrativas construídas para gerar indignação.
Naturalmente, divergências fazem parte da política. Críticas entre adversários são legítimas e muitas vezes necessárias. Governantes precisam prestar contas de suas ações, e opositores têm o dever de fiscalizar e apontar falhas. Mas há uma diferença fundamental entre o confronto de ideias e a substituição completa das propostas por ataques. Quando isso acontece, perde o candidato, perde o eleitor e perde o País.
A democracia brasileira já demonstrou capacidade de superar momentos de intensa tensão política. Agora, o desafio é elevar o nível da campanha. O Brasil precisa de uma eleição em que os candidatos convençam pelo mérito de suas propostas, pela consistência de seus programas e pela capacidade de construir consensos. Ataques podem produzir manchetes e mobilizar torcidas. Mas são as ideias, e apenas elas, que oferecem respostas para os problemas reais do País.


